A importância da vinculação na vida das crianças

 

Porque é tão importante a relação que estabelecemos com os nossos pais, ou cuidadores? Será que vai determinar o que somos e o que vamos ser?

A ciência tem vindo a confirmar a importância da vinculação nas relações humanas e as suas consequências no desenvolvimento individual. Mostra que desde o nascimento, a criança procura a relação com o outro no estabelecimento de ligação, através da figura de vinculação.

Toda a criança tem o direito de viver uma filiação segura, vinculada de ambos os progenitores ou de quem tenha a sua guarda de fato.

 Muitas crianças que por força das circunstancias têm que ser protegidas em Instituições de Acolhimento Residencial procuram nos novos cuidadores uma vinculação que lhes garanta uma vida melhor que aquela que determinou a sua institucionalização, numa relação emocional profunda e duradoura que as liguem a uma pessoa, noutro tempo e noutro espaço.

Não poucas vezes encontramos técnicos de Instituições de Acolhimento Residencial, temporário de crianças e jovens em perigo, que afirmam a desnecessidade de vinculação com a criança uma vez que a sua permanência é temporária e que o seu cuidado será promovido por varias pessoas da Instituição.

É imperativo que se perceba que uma criança ou um jovem que se vêm privados, por motivos vários, dos seus progenitores necessitem de uma vinculação aos seus cuidadores, independentemente do tempo que permaneçam com eles. Precisam de cuidadores que os abracem, a tempo e em tempo. Que lhe deem um colo, que os aconcheguem. Só assim o seu desenvolvimento individual e emocional será capaz.

Uma criança com um padrão de vinculação seguro sente que os seus cuidadores/progenitores estão disponíveis nos cuidados básicos para o seu desenvolvimento, transmitindo uma base contentora ligada às primeiras relações objetais.

Para concluir, seria importante haver no sistema familiar ou institucional sentimentos de apoio e de cooperação para o desenvolvimento salutar da criança. Tem-se vindo a verificar que algumas famílias perderam o “monopólio” da transmissão de valores em matéria de educação, fundamentais à construção individual da criança comprometendo o seu futuro como ser humano saudável e feliz.

 Por outro lado, a ausência de vinculação por parte dos cuidadores institucionais, mesmo que temporariamente, faz com que as crianças e o jovens acolhidos  não tenham a noção do amor e do cuidado, tornando-se adultos incapazes de transmitir esses valores.

Segundo Freud, o adulto que somos reflete-se na criança que fomos!

Ana Fazenda

Coordenadora da Equipa Técnica Regional do Algarve

Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens